Sexto capítulo: !!! e???

22 nov 2018

Seguindo a série de publicações do livro “Lutas e frustrações ecológicas. Um desafio”, o artigo de hoje é “!!! e???”. Essa série semanal de artigos busca reviver a história e instigar o nosso pensamento crítico através das sábias palavras de João José Bigarella, fundador da Associação em 1974.

Boa leitura!

Capitulo Sexto: !!! e???

A Adea pergunta:

Adianta lutar pelo bem-estar da comunidade paranaense?

Por que esta luta inglória?

Por que os representantes do povo não levam avante os anseios da insignificante Adea?

Insignificante sim…

Porém, obstinada!

Por que eles não se unem a ela?

Que pretensão!…

Mas ela tem sentimentos patrióticos…

Porém, não representa reduto eleitoreiro.

Compreende-se…

É difícil escolher um verdadeiro representante do povo!

A novela da Serra do Mar parece não acabar tão cedo. Aliás, o “mocinho” ainda não apareceu em cena para liquidar o “chefão” dos banidos e seus asseclas.

Denúncias e mais denuncias chegam a Adea a propósito da devastação criminosa de nossos últimos redutos florestais.

Por que elas não são feitas ao IBDF?

É claro que não adianta.

O IBDF está do outro lado da trincheira…

Está junto com o interesse empresarial, com a maior parte do setor madeireiro.

A Adea conclama os órgãos de comunicação: jornais, rádio e televisão a iniciarem uma campanha em prol da Serra do Mar.

Não pela beleza da paisagem.

Não pelos passarinhos que cantam nos galhos…

Não pelos poetas e ecologistas.

Mas sim, para salvaguardar o Porto de Paranaguá. Também para defender a tão precária situação econômica paranaense. E para que a rodovia 277 não despenque serra abaixo como vem acontecendo pelo desmatamento.

A Adea não entende de engenharia rodoviária, diriam os “experts”.

A Adea responde: os DER’s ou o DNER não consideram a importância da geologia ou dos aspectos ambientais, ou melhor, não entendem de engenharia ambiental…!

Voltemos às denúncias:

A Madeireira “X” há algumas semanas atrás foi embargada ao proceder desmate em pleno Parque do Marumbi. Entretanto, ela tem seus direitos “garantidos” para cortar 4.245 árvores no rio do Meio, na localidade de Cacatu, município de Antonina. Por parte da Madeireira “X” tudo legal!

Permissão do IBDF! Aliás, este órgão federal nunca prestigiou o Parque Marumbi. O parque sempre foi um empecilho às suas manipulações…

Onde o desmate?

Pasmem os leitores!

Nas proximidades dos mananciais de água de Antonina.

Haveria conivência dos representantes do povo?

Aparentemente não há.

Então, por que a omissão dos parlamentares?

Se o abastecimento hídrico de Antonina vier a ser afetado, seguramente isto não será de responsabilidade da Madeireira “X”.

Na justiça o condenado seria o IBDF…

Entretanto, isto não acontece…

Tudo legal, mesmo!

Pouca falta de vergonha dos poderes constituídos!

No final a Madeireira “X” foi embargada.

Talvez isto não importe ao IBDF.

O que importa é que ainda temos alguns homens públicos honestos, cientes dos problemas ambientais e merecedores do apoio da Adea.

A questão fundamental é:

Como impedir a ação ignorante (perdoável) ou a ação corrupta (imperdoável) de um órgão dito competente, como o IBDF?

No momento não há como impedir.

É necessário mudar…

E mudar com urgência!

 

(Jornal Gazeta do Povo, 17 de maio de 1984)

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