Segundo artigo: Leitura para reviver o passado e instigar o futuro

6 jul 2018

Seguindo a série de publicações do livro “Lutas e frustrações ecológicas. Um desafio”, o artigo de hoje é “A piada do IBDF”, o qual o professor fala sobre o o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal. Sua publicação foi no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba -PR, em 08 de fevereiro de 1984.

Essa série semanal de artigos busca reviver a história e instigar o nosso pensamento crítico através das sábias palavras de João José Bigarella, fundador da Associação em 1974.

 

Boa leitura!

Serra do Mar – O começo do fim

Por João José Bigarella

 

Capítulo Segundo: A piada do IBDF

Você conhece a última piada do Instituto De Devastação Florestal

Por sinal uma piada de requintado mau gosto!

Vejamos:

Em primeiro lugar, um preâmbulo…

Deus criou o Céu e a Terra e colocou na Serra do Mar uma floresta luxuriante para proteger do entulhamento um porto que mais tarde se chamaria de Paranaguá. Nas árvores colocou os passarinhos que permitem ao homem fazer poesia e se tornar “ecologista”, segundo a opinião de alguns homens menos avisados.

Por outro lado, para confrontar a obra divina, o diabo criou o Instituto Brasileiro de Devastação Florestal.

A ADEA nasceu no IBDF.

Talvez, seja uma filha ingrata, “mal reconhecida”, porém preocupada com os destinos do Brasil.

Assim conhecemos este órgão público há mais de dez anos. Nele nada mudou. A filosofia é a mesma.

A ADEA não ataca os homens que administram o IBDF, pois eles são efêmeros de acordo com as mudanças políticas. O que a ADEA combate são os princípios antipatrióticos e mesmo corruptos desta entidade, que zomba e escarnece do patrimônio florestal brasileiro. Além disso, o IBDF comunga com a ganancia de muitos empreendimentos madeireiros, na dilapidação inexorável de um dos mais preciosos recursos naturais do Brasil.

Na edição do Estado de São Paulo, de 14/01/1984 encontramos pareceres do IBDF sobre a Serra do Mar que passaremos a transcrever:

“Essa história de preservar as encostas da Serra do Mar é utopia. Isso é coisa de ecologista que só quer ver passarinhos pousar no galho e ficar cantando. O negócio é derrubar árvores e replantar sempre”. (sic.)

Este posicionamento desmoraliza publicamente este órgão do governo federal chamado Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal.

E poucas linhas, quanta ingenuidade, digo safadeza!

No final poderíamos dizer:

Sem comentários!…

O IBDF é um organismo federal nefasto aos interesses do Estado do Paraná. Ele deve ser combatido por todos os paranaenses, com exceção é claro, dos madeireiros! Salvo poucas exceções.

A piada do IBDF é infame. Este órgão já é conhecido pejorativamente como Instituto Brasileiro de Devastação Florestal. Bem que merece, pelo dano que vem causando à comunidade brasileira.

Essa história de que “a madeira só deve dar dinheiro”, “cheira” a traição. A pátria brasileira é traída por um “saco” de dinheiro madeireiro.

E o Porto de Paranaguá, como fica?

Isso não é problema do IBDF e o estado do Paraná que se lixe!

Aliás, o governo do Paraná também pouco parece se preocupar com o problema.

No final, por que precisamos de um porto, se amanhã a erosão dos solos vai acabar com a produção agrícola!!!

Realmente, neste caso a ADEA estaria sendo quixotesca…

Voltando ao assunto, é extremamente difícil “engolir” esta estória de passarinho no galho!

Não é aquela:

Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá…

Mas sim:

Minha Serra tem florestas

Onde cantam os passarinhos

Que se proteja contra o IBDF

Para o Porto mão acabar!…

 

A rima está péssima. Mas a intenção é boa…

Após comentarmos este lamentável pronunciamento do IBDF, queremos tornar público o apoio internacional que estamos recebendo em prol da preservação do patrimônio florestal da Serra do Mar.

O posicionamento estrangeiro a propósito do assunto, mostra a diferença de padrões culturais entre um organismo nacional medíocre e uma entidade estrangeira altamente credenciada.

Os professores do Departamento de Geografia da “Ruhr Universitaet Bochum” estão extremamente preocupados com a exploração das florestas pluviais da Serra do Mar. Dizem eles também que a atividade madeireira destruirá o equilíbrio ecológico de toda a área, causando em consequência problemas de erosão, que por sinal já são muitos.

Esta correspondência foi enviada aos ministros do Interior e da Agricultura, bem como ao governador do Paraná.

Ainda mais, os professores perguntam se essas autoridades ignoram o dano que a exploração florestal causará ao ecossistema e sugerem a preservação dos últimos remanescentes existentes.

Eles esperam que o governo venha a proteger este ecossistema tão importante, em benefício das gerações vindouras.

Que diferença de mentalidade!

 

(Jornal Gazeta do Povo, 08 de fevereiro de 1984)

 

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